Tem toda a razão Luís Filipe Menezes no que escreve aqui. Só há um senão: é que foi ele que, depois de dizer que não abandonava a liderança nem à bomba, a entregou de mão beijada, por causa de uma absolutamente inócua manifestação de disponibilidade por parte de Aguiar-Branco. Depois disso, não vemos com que legitimidade pode apelar a uma revolta de militantes contra a actual direcção. Agora que o PSD precisa de alterar o rumo que tem vindo a ser seguido, isso parece-me manifesto.
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sábado, 11 de outubro de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
A ratificação do Tratado de Lisboa

O maior erro da liderança da Luís Filipe Menezes foi precisamente o de ter abandonado a exigência de realização de um referendo ao Tratado de Lisboa. Esse referendo era um compromisso político, cujo incumprimento só serviu para descredibilizar o PSD perante os cidadãos e os afastar da política quando o essencial era precisamente trazer a questão europeia para o debate político. Depois, talvez por má consciência, anunciaram-se umas sessões de esclarecimento sobre o Tratado, a que ninguém assistiu, como era previsível perante o facto consumado da sua ratificação parlamentar. Agora, assiste-se ao cúmulo do cinismo, que é o Primeiro-Ministro afirmar que existe "um grande consenso político e social em torno do Tratado", um pouco à semelhança do projecto inicial de constituição europeia, que também tinha sido "aprovado por consenso" na Convenção. Muito mal anda a construção europeia, se tem que ser realizada desta forma, à revelia do debate político com os cidadãos.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
A demissão de Luís Filipe Menezes.
O PSD volta a entrar numa crise de liderança com a demissão de Luís Filipe Menezes. O homem que dizia que não saía, nem "à bomba", afinal saiu com apenas uns estalinhos provocados por alguns putativos candidatos à liderança.
Neste aspecto, acho que o maior inimigo de Luís Filipe Menezes foi ele próprio, com a disparatada recuperação de Santana Lopes para líder parlamentar, num ensaio de liderança bicéfala obviamente prejudicial para o PSD, e com intervenções absolutamente desastradas sobre os mais diversos assuntos. É manifesto que as coisas não lhe estavam a correr bem, mas a verdade é que esperava que tivesse dado mais luta.
Por outro lado, não tenho grandes esperanças em nenhum dos candidatos que se autopropuseram para a liderança do PSD, pelas razões expostas em posts anteriores. O Partido tem melhor e deve apresentar melhor.
Aguiar-Branco e o PSD.

É manifesto que a actual situação do PSD é motivo para grande preocupação, especialmente depois dos tristes episódios a que temos assistido nos últimos tempos.
Não me parece, porém, muito edificante que simultaneamente se assista na praça pública a um autêntico desfile de candidatos à liderança, que se vão exibindo na comunicação social. Depois de António Borges e Pedro Passos Coelho, surge agora Aguiar-Branco. Não me parece que tenha as mínimas condições para liderar o PSD. No currículo tem uma breve passagem como Ministro da Justiça no inenarrável Governo de Santana Lopes, do qual só se demarcou a partir do momento em que soube que o Governo estava condenado. Desde então, tem-se autoproposto como candidato à liderança, como fez nas últimas eleições, mas na hora da verdade não chegou a apresentar qualquer candidatura. Agora, depois de ter faltado a esse encontro, pretende recolher assinaturas para convocar um Congresso extraordinário. Por mim, acho que a oposição a Luís Filipe Menezes tem que ter muito mais consistência. E esta proliferação de candidaturas à liderança só o fortalece, pois dá uma imagem de uma oposição dividida, que ele facilmente esmagará em qualquer Congresso.
Seguramente que se exige algo mais de que o seu próprio voluntarismo para alguém poder chegar a líder do maior partido da oposição.
domingo, 6 de abril de 2008
O apelo a uma nova Constituição.
Se há de facto questão que se encontra presentemente estabilizada em Portugal, esta é a da Constituição, depois das múltiplas revisões a que foi sujeito o texto de 1976, e que lhe retiraram a carga socialista original.
É por isso completamente errado que Luís Filipe Menezes apele agora a uma nova Constituição, como se refere aqui.
Este apelo só serve para colocar o PSD fora do arco institucional do regime, e não é minimamente compreendido pelos cidadãos, que se revêem maioritariamente na Constituição que existe.
Na verdade, a luta política não pode ser realizada apresentando a primeira ideia que nos vem à cabeça, exigindo-se ponderação e estudo dos problemas. Por outro lado, que legitimidade tem para pedir uma nova Constituição, quem decidiu a ratificação do Tratado de Lisboa no Parlamento?
domingo, 30 de março de 2008
António Borges e o PSD.

António Borges desde há imenso tempo que tem sido apresentado como putativo candidato à liderança do PSD, mas o seu perfil é muito mais de economista do que político. Acaba de o demonstrar neste erro de principiante, que é o facto de ter trazido para a praça pública questões pessoais e empresariais, como a história da cessação dos contratos entre o Estado e a Goldman Sachs, que interessarão apenas a ele próprio e a esse Banco, mas não seguramente aos cidadãos, a quem se deveria dirigir. Manuel Pinho desmentiu-o prontamente, como se esperaria, e qualificou-o apenas como um gestor de banca que se queixa de uma decisão do Governo, o que não é seguramente imagem que queira ter um candidato a líder do PSD. Se é esta a oposição a Luís Filipe Menezes, ele manifestamente pode dormir descansado.
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