Escrevi na semana passada que a obsessão do BCE com a manutenção da taxa de juro fazia lembrar aqueles que continuavam a tocar violino enquanto o Titanic se afundava. Agora que a água gelada acaba de atingir brutalmente Jean-Claude Trichet, este decide-se a baixar de uma vez a taxa de referência em 0,5 pontos percentuais, depois de na semana passada ter dado indícios de que só o iria fazer em Novembro. A falta de efeito que a sua decisão está a ter na Euribor leva a crer que esta medida chega tarde demais e que dificilmente o sistema financeiro recuperará a confiança. Quando se escrever a história destes dias trágicos para a Europa, seguramente que o nome de Trichet figurará entre os principais responsáveis por esta crise.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
O BCE e a crise financeira.
Confesso que já esperava esta decisão do BCE de manter a taxa de juro na Europa. Na verdade, se há coisa que Jean-Claude Trichet tem demonstrado é a sua incapacidade absoluta de responder activamente às crises, de tal forma se encontra obcecado em cumprir o único mandato que considera ter, o de controlar a inflação. Em consequência, perante o aumento da inflação desencadeado pela alta do petróleo e dos bens alimentares, a estratégia de Trichet foi sempre a subida sustentada da taxa de juro, independentemente de tal só servir para agravar a crise económica.
Agora que a economia europeia atingiu a recessão e o sistema financeiro europeu se encontra próximo do descalabro, Trichet insiste em manter a taxa de juro a níveis insustentáveis para as empresas e as famílias. Faz lembrar aqueles que continuaram calmamente a tocar violino enquanto o Titanic se afundava.
Se há algo que falta à Europa é seguramente democracia. Na verdade, é absolutamente insustentável que toda a política monetária europeia esteja nas mãos de tecnocratas politicamente irresponsáveis. Quem responderá perante os cidadãos europeus, pelos danos que esta política está a causar?
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