segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Regresso a Goa.


De novo em Goa, para leccionar mais uma série de conferências no Salgaocar College. Goa continua absolutamente magnífica e os 35 graus de temperatura que encontramos são um agradável contraste ao rigoroso Inverno que estamos a atravessar em Portugal. Mas a Índia, que hoje, dia da República, festeja os seus 6o anos de independência, encontra-se a atravessar tempos difíceis. A televisão só fala da guerra ao terrorismo, e de facto as medidas de segurança que encontramos, quer no aeroporto, quer no hotel sao elevadíssimas. No hotel, os carros são revistados à entrada do parque de estacionamento e os hóspedes passam por detectores de metal quando entram no edifício. Por outro lado, surgem outras notícias preocupantes, como este ataque contra mulheres num bar por um grupo de vigilantes dos costumes, que levam a que na comunicação social se compare a situacao com os talibãs. É, de facto, preocupante o mundo em que vivemos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A falência da Qimonda.

Conforme se previa, o ano de 2009 está a revelar-se dramático em termos de agravamento da crise financeira internacional. Agora sabe-se que a holding do Grupo Qimonda se declarou falida no tribunal de Munique. Dado que a Qimonda portuguesa é o maior exportador nacional, é manifesto que as consequências desta falência vão ser traumáticas para a economia portuguesa em geral e para a região do Vale do Ave em particular, onde os encerramentos de empresas têm vindo nos últimos tempos a ser uma constante.
Esta é uma das lições da globalização. A falência de uma empresa num país afecta todas as suas participadas nos outros países, que caem como um castelo de cartas. Mas perante esta realidade inelutável, não vejo que utilidade possam ter as conversas entre Angela Merkel e Sócrates sobre este assunto. A não ser que a ideia seja continuar a injectar dinheiro dos contribuintes em empresas em dificuldades. A ser assim, pergunta-se até quando é que isso pode continuar a suceder.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Congratulations, Mister President.

É de aplaudir que a primeira medida de Barack Obama, após a sua tomada de posse como Presidente dos Estados Unidos, seja a suspensão dos processos judiciais em Guantanamo. Guantanamo é um buraco negro no sistema de justiça americano, que deve terminar imediatamente. Como o próprio Obama disse no seu discurso de tomada de posse, a segurança não pode servir de pretexto a que sejam postos em causa os ideais e os valores que estiveram na base da criação da Nação Americana.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

De novo o Estatuto dos Açores.

O Presidente da República bem se deve estar a rir pelas trapalhadas causadas pelo Estatuto dos Açores, a última das quais é um reeditar da antiga "guerra de bandeiras", que ninguém sabe como irá acabar. Na verdade, só por absurdo é que alguma lei põe as Forças Armadas de Portugal a prestar homenagem à bandeira de uma das suas Regiões, mas nem isso se coibiu de fazer o grande monumento legislativo, que é o Estatuto dos Açores. Na verdade, o Estatuto foi tão longe que até o próprio Presidente do Governo Regional sustenta a necessidade de se fazer dele uma "interpretação ajustada". No fundo, continuamos a seguir a velha máxima nacional de que, mesmo perante críticas plenamente justificadas às leis, elas são aprovadas contra tudo e contra todos, mas depois não são para levar a sério...

Tintin e Astérix II

A propósito do que aqui escrevi, veja-se a carta aberta de Sylvie Uderzo, filha de Albert Uderzo, contestando a decisão do pai, em defesa do seu "irmão de papel".