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terça-feira, 28 de abril de 2009

A entrevista de Manuela Ferreira Leite.

Pessoalmente, até acho que Manuela Ferreira Leite deu uma excelente entrevista a Mário Crespo, tendo respondido com firmeza e segurança a todas as questões que lhe foram colocadas. Cometeu, no entanto, um deslize ao equacionar qualquer cenário de coligação após as legislativas, o que legitimou a óbvia interpretação de que aceitaria um governo do Bloco Central. Viu-se, por isso, forçada a desmentir essa interpretação, o que estragou o efeito positivo que poderia resultar da entrevista. Mas essa é uma falha de comunicação sua, não fazendo sentido o PSD insistir em culpar os jornalistas por essa interpretação.
O agravamento da crise e o caso Freeport tornam neste momento imprevisível qualquer resultado eleitoral, pelo que é perfeitamente possível que o PSD venha a ganhar as eleições. Tal não invalida, no entanto, que a estratégia de comunicação do partido esteja completamente errada. Toda ela assenta na ideia de "falar verdade aos portugueses", o que é inteiramente desejável, mas não chega para ganhar eleições. A política não vive apenas de um discurso de verdade, vive também de um discurso de mobilização, ambição, e até sonho. Ponham os olhos na campanha de Obama.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Parabéns, Mário Crespo.

Só posso aplaudir este magnífico artigo de Mário Crespo. Perante jornalistas cada vez mais reverenciados perante o poder, ao menos que haja alguém que fale desabridamente e sem constrangimentos sobre a autêntica situação de faz-de-conta que estamos a atravessar. E não me parece que ataques pessoais sejam a adequada resposta às pertinentes questões que Mário Crespo levantou.
Sobre este assunto, ver ainda o que se escreveu aqui, aqui e aqui.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Presidente da República e os jornalistas.

Acho que o Presidente da República anda a ser muito mal aconselhado no que concerne à sua relação com a comunicação social. Primeiro o seu Chefe da Casa Civil queixa-se de Mário Crespo a Francisco Pinto Balsemão, seu empregador, o que é um acto absolutamente despropositado, e impensável de ser praticado pelos serviços da Presidência. Não é de estranhar por isso a contundente resposta de Mário Crespo aqui publicada. Agora surge um comunicado da Presidência a desmentir especulações jornalísticas sobre a marcação da data das eleições, como se o Presidente da República de Portugal não tivesse mais nada que fazer que desmentir as especulações que todos os dias surgem nos jornais.
Neste dias de crise, era bom que o Presidente reservasse os seus comunicados para assuntos realmente importantes. É isso o que esperam os Portugueses que o elegeram.