segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A piada do ano.

Agora o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça explica que já consegue dar acesso aos novos processos, considerando como novos os que entram a partir de agora. Temos portanto acesso informático a coisa nenhuma. Aqui explica-se que isso sucede porque foi "ressuscitado o sistema informático antigo". Quanto aos 3,5 milhões de processos, que deveriam ter transitado para os novos tribunais, ninguém sabe onde param. Quando eu comecei a exercer advocacia, contava-se a anedota de um juiz que, em lugar de despachar os processos, os atirava ao rio. E quando lhe perguntavam por eles, limitava-se a dizer: "Estão a seguir o seu curso normal". Agora já não é preciso rio algum para esse efeito, pois os processos migram para o limbo informático, onde nunca ninguém os descobrirá. Isto seria cómico se não fosse trágico, uma vez que põe em causa de forma calamitosa os direitos das pessoas. Cada um desses 3,5 milhões de processos tem uma situação pessoal, em muitos casos dramática, a que a justiça tinha obrigação de dar urgente resposta. Só neste país é possível que uma situação destas ocorra impunemente, sem que ninguém faça nada. Mas uma pergunta se impõe: Já que ressuscitaram o sistema antigo, não querem também ressuscitar os tribunais antigos, e mandar esta reforma para o caixote do lixo, onde sempre deveria ter estado?

Aguardam-se as prometidas explicações.

No dia em que tinham sido prometidas as explicações por quem já declarou ter identificado os problemas e ter a chave para resolver as deficiências, afinal a notícia é esta: Sistema informático da Justiça totalmente parado. Até quando se vai continuar a assistir a este amadorismo e  a esta irresponsabilidade?

sábado, 13 de setembro de 2014

Um paraíso para a irresponsabilidade.


Sabe-se agora que o chefe de gabinete da Ministra se demitiu por não concordar com a precipitação da reforma do mapa judiciário, tendo avisado que o Citius iria colapsar se a mesma fosse avante. Agora afirma José Tribolet vamos precisar de «um ou dois anos» para o Citius ir ao sítio por se ter colocado a mudança dos tribunais à frente da mudança dos computadores. Mas ninguém assume as consequências desta enorme irresponsabilidade. O Primeiro-Ministro mantém a confiança na Ministra da Justiça e o Presidente da República acha um absurdo convocar o Conselho de Estado no momento em que se assistiu ao colapso de todos os tribunais do país. Isto da parte de um Presidente que já convocou o Conselho de Estado apenas para discutir as perspectivas da economia portuguesa no período pós-troika. Todos os órgãos de soberania continuam assim pacificamente a assobiar para o lado depois de terem causado o colapso total do nosso sistema judicial. Portugal é um paraíso para a irresponsabilidade.