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domingo, 20 de julho de 2008

A situação dos ex-combatentes em Portugal


Leio aqui que há 200 ex-combatentes em Portugal reduzidos à condição de sem-abrigo. É inacreditável que o país possa deixar ao abandono pessoas que, na sua juventude, foram mandadas combater em territórios distantes, e muitas vezes de lá voltaram com graves traumas físicos e psicológicos, que os acompanharão pela vida toda.

Tive a sorte de ser novo de mais para ter combatido na guerra colonial. Recordo-me, no entanto, de assistir pela televisão ao embarque dos soldados e às filas e filas daqueles que, já colocados no teatro de guerra, repetiam sucessivamente a mesma frase: "Adeus e até ao meu regresso". A frase soava-nos terrível, pois tínhamos a perfeita consciência de que grande parte dos que a pronunciavam nunca regressaria.

Mais tarde, tive ocasião de visitar quase todas as antigas colónias portuguesas, onde ainda se podem ver as marcas da terrível guerra para onde enviávamos os nossos soldados. Nada me impressionou mais, no entanto, do que visitar Bissorá, em pleno interior da Guiné-Bissau, onde ainda se encontram as sepulturas de inúmeros soldados portugueses. Esses soldados foram sacrificados a uma opção política completamente irrealista, que preferia perder a Guiné numa guerra que era impossível ganhar, do que negociar a sua independência.

O primeiro dever do país seria, porém, cuidar dos que conseguiram regressar vivos, ainda que com as inevitáveis sequelas desta guerra. Custará muito ao sistema português de segurança social assegurar pensões condignas aos ex-combatentes, que evitem que estes sejam forçados a viver na rua? É o mínimo que o Estado deve a quem arriscou a sua vida, combatendo ao seu serviço.