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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Partida para Liége, na Bélgica.


Depois de na semana passada ter estado no calor da Beira em Moçambique, parto agora para o frio da Bélgica para participar num congresso internacional em Liége. Curioso que a Bélgica tenha finalmente um governo, presidido por Di Ruppo, de ascendência italiana, mas pertencente à comunidade francófona. Parece que é muito criticado por não saber falar flamengo, a língua da mais importante comunidade da Bélgica. Ao que consta, o líder do partido flamengo disse que a sua empregada doméstica, que é nigeriana, sabia falar melhor flamengo que o primeiro-ministro do seu país. Com o separatismo da Flandres tão exacerbado, não sei quanto tempo a Bélgica se vai conseguir manter unida. E depois dela podem surgir questões semelhantes no Reino Unido, Itália, e até na nossa vizinha Espanha. Não é só a União Europeia que corre riscos de colapso. Muitos Estados europeus podem ter o mesmo destino.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O país sem governo no coração da Europa.

Prossegue a saga da ingovernabilidade da Bélgica. Agora, depois de o líder do partido vencedor, Yves Leterme, flamengo, ter desistido de formar governo ao fim de seis meses de tentativas inúteis de formar uma coligação, o Rei Alberto II solicitou ao primeiro-ministro derrotado nas últimas eleições, Guy Verhofstadt, que encontrasse uma solução para a crise política. O resultado da eleição acaba assim por ser ultrapassado, mostrando a existência de sérios problemas num país que esteve desde o início no centro da construção europeia.
Esta situação justifica uma reflexão mais profunda sobre se é possível manter a arquitectura tradicional dos Estados-Membros da União Europeia no quadro da integração comunitária. Se em relação a países como Portugal não se vislumbram problemas, há vários países europeus que possuem comunidades nacionais próprias, que não se revêem facilmente no Estado a que pertencem. Ora, até agora a dissolução dos Estados europeus tem ocorrido à margem da União Europeia, previamente à integração de novos Estados na mesma. Assim sucedeu com a Checoslováquia e com a Jugoslávia, e ameaça voltar a ocorrer com a separação do Kosovo em relação à Sérvia. Mas estará a Europa preparada para assistir à dissolução de um dos seus Estados-Membros, mediante a separação entre a Flandres e a Valónia, com o invitável conflito em relação a Bruxelas? E qual o precedente que isso criará em relação às aspirações de separação por parte de outras comunidades noutros Estados-Membros, como a Escócia em relação ao Reino Unido, ou a Catalunha e o País Basco em relação a Espanha?
Até agora, os comentadores têm tido um grande optimismo com o acordo alcançado em relação ao Tratado de Lisboa, considerando que este resolveu a arquitectura institucional da União Europeia para o futuro. Acho o optimismo excessivo perante os sinais que se avizinham. Que será da União Europeia se assistir no seu seio a um litígio entre dois países recém-formados em relação à cidade que adoptou como sede?