terça-feira, 22 de janeiro de 2008
O debate Clinton-Obama.
O debate de ontem entre Clinton e Obama relatado aqui serviu para acirrar o confronto entre os dois a um nível inesperado, que torna improvável que ainda se possam juntar num único ticket. A estratégia neste caso de recurso ao ataque pessoal não é boa para nenhum dos candidatos. Mas, apesar do crescendo da campanha de Hillary Clinton, eu continuo a apostar em Obama, que se as sondagens aqui referidas se confirmarem, irá ter uma esmagadora vitória na
Carolina do Sul.
Carolina do Sul.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
A desjudicialização em França: a carta a todos os advogados do Bâtonnier Paul-Albert Iweins, Président du Conseil National des Barreaux.
Enquanto por cá os jantares com o Governo estão na ordem do dia, o Battonier Paul-Albert Iweins, Président du Conseil National des Barreaux, escreve uma carta notável a todos os advogados de França, sobre a desjudicialização, que se pode ler integralmente aqui. Retiro desse texto o seguinte: "Si l'actuel gouvernement affirme sa volonté de réformer la justice, la logique à laquelle obéissent les lois et les projets qui se succèdent montre que ses ambitions ne tendent en réalité que vers un seul but : faire des économies à l’État sans considération des coût sociétaux engendrés. Le souci essentiel est donc de réduire l'activité judiciaire, de "déjudiciariser" par tous moyens, pour réduire les dépenses. Dans cette stratégie, l'avocat paraît être conçu comme un adversaire, soupçonné d'encourager la "consommation" de droit, et générateur des dépenses de l'aide juridictionnelle. Le juge, dont l’impartialité est garantie, se voit écarté de son rôle d’arbitre social".
Cá como lá, os sucessivos ataques aos tribunais e aos advogados exigem uma resposta firme, para que não se assista à destruição do nosso sistema de justiça.
A justiça ao jantar
O JN noticia hoje que o Primeiro-Ministro, José Sócrates, convidou os diversos responsáveis da Justiça para um "jantar privado", em ordem a "tentar amenizar as críticas do sector a várias políticas do Governo". Parece que o referido jantar se deveria realizar "em sigilo", pelo que não consta das agendas oficiais de nenhum dos participantes e que mesmo o Gabinete do Primeiro-Ministro considera que este faz parte da sua "agenda privada".
Aliás, segundo refere o mesmo jornal, Sócrates já "tinha jantado (igualmente em S. Bento e em sigilo) com vários empresários da construção civil e com os empresários do sector da construção, a quem foi pedido mais investimento para este ano". Também com o Conselho de Reitores foi realizado um jantar, mas este de forma oficial, tendo-lhe sido prometidos "melhores dias do ponto de vista do financiamento das universidades".
Este tipo de procedimento é bastante anómalo do ponto de vista da transparência da acção governativa. Não me parece que as questões importantes que afligem o sector da justiça devam ser discutidas secretamente em jantares privados, onde se fazem vagas promessas de melhorias, que depois ninguém pode sindicar. Antes é imperioso que se dê público conhecimento do que se planeia fazer para o sector. E não há jantares que possam amenizar o desagrado que se sente no sector com as medidas governamentais, de que a recente portaria do apoio judiciário é mais um triste exemplo.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Os resultados do Nevada e da Carolina do Sul.

Os resultados das primárias no Nevada, ao permitirem novas vitórias a Hillary Clinton e a Mitt Romney, permitiram a estes candidatos eliminar os revezes iniciais, e voltar a colocá-los na "pole position" para a nomeação. Não me parece, porém, que a nomeação republicana venha a cair para Romney, já que apesar das suas sucessivas vitórias no Michigan, Wyoming, e Nevada, o facto de John McCain ter vencido o New Hampshire e agora a Carolina do Sul, estados considerados muito mais decisivos, leva a crer que será ele o nomeado. Isto se Rudy Giulani, que até agora tem adoptado uma estratégia eleitoral desastrosa, não tiver ainda uma palavra a dizer.
Do lado democrata, a vitória de Hillary Clinton no Nevada não me parece suficiente para que o fenómeno Barack Obama se possa considerar afastado. No Nevada, Obama teve 45% dos votos contra 51% de Hillary Clinton e o afundamento de John Edwards com 4% levará inevitavelmente à centralização do voto nestes dois candidatos, o que poderá aumentar as possibilidades de Obama.
Neste momento, a escolha republicana parece assim vir a concentrar-se entre McCain e Romney e a escolha democrata entre Clinton e Obama. Aguardemos pelos próximos resultados para verificar se esta tendência se confirma.
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