domingo, 15 de março de 2009

Pedro Mexia e os advogados.

Esta crónica de Pedro Mexia contra os advogados, para além do tom brejeiro, que manifestamente não esperaríamos encontrar num jornal como O Público, não passa da reprodução de um estereotipo sobre a profissão, que nem sequer é português, mas antes norte-americano.
Acho especialmente grave que Pedro Mexia considere uma anedota o art. 83º do Estatuto da Ordem dos Advogados, que estabelece os deveres deontológicos que os advogados devem ter na sua profissão. Na verdade, a esmagadora maioria dos advogados respeita o seu Estatuto, pelo que não merecem ver a sua profissão achincalhada desse modo.
Pedro Mexia agradece o facto de não ter passado no exame de agregação à Ordem, uma vez que acha que, se tal tivesse acontecido, provavelmente seria hoje "um advogado de sucesso, atravessando a cidade no seu descapotável, com um belo casaco de caxemira, um relógio com um mostrador gigante, as unhas de manicura esmerada, os lavados e muitos dentes brancos à mostra", já que para ser "um coçado advogado da comarca de Lamego não teria valido a pena". Não é nem uma coisa nem outra, uma vez que por nomeação governamental exerce actualmente funções de direcção na Cinemateca Portuguesa, para além de escrever crónicas destas. Merece efectivamente felicitações por este extraordinário sucesso profissional, de que a passagem no exame da Ordem o teria infelizmente privado.
Duvido, porém, que tivesse sido o advogado de sucesso com as características que refere, até porque não conheço nenhum advogado de sucesso com essas características. Conheci, no entanto, muito bem quando concorri a Bastonário da Ordem os advogados da comarca de Lamego e prefiro-os mil vezes ao cronista Pedro Mexia.

5 comentários:

Anônimo disse...

Fico feliz por saber que temos menos este advogado na praça.
Excelente comentário, meu estimado Professor de Direito das Obrigações na FDL.

Anônimo disse...

Exmo. Senhor Mexia (auto-excluido burguês fica sempre bem e deve ter fatiota a condizer)

Há muito que as etiquetas me levam ao desespero por ter descoberto que tenho uma casa desgraçada.

Sabe o Senhor que por maleitas (agora descobri que por maleitas burguesas) arranjadas ao longo da vida tenho uma casa desgraçada.

Eu sou advogado logo vigarista e desonesto (agora também cagão) metido que ando nessa coisa horrorosa que é a politica sou também corrupto, a minha mulher que é enfermeira anda metida (amigada segundo os seus termos) com todos os médicos do Hospital e os pacientes não raras vezes se regalam com ela (como está em pediatria agrava a questão com a pedofilia) a minha filha é loura logo é burra, escapa pois o mais novo que devido à idade ainda não tem etiqueta, mas já estou à espera de tudo, se o rapaz der para cronista lá vai a etiqueta de que é frustrado.

É por isso meu caro que entendo que as etiquetas colocadas nas mesas de café, e aproveitadas por quem não tem assunto, não passam disso mesmo, incapacidade criativa. Ainda bem que o Senhor mexia não teve de fazer exame para ser cronista é que a demonstrar pela capacidade que tem de escrevinhar as conversas de café seria com toda a certeza empregado de café se para isso não fosse preciso exame.

P.C. Loures

Francisco Bruto da Costa disse...

Pedro Mexia não estava claramente a escrever para os advogados, mas sim para a populaça que adora o estereotipo do advogado arrogante, aldrabão e ignorante.
A sua escrita superficial é claramente arrogante e ignorante.
Se é ou não aldrabão, tenho dúvidas – calhando, é tão arrogante e ignorante que até acredita naquilo que escreve.

Anônimo disse...

Subscrevo na íntegra o texto que produziu sobre a injusta e leviana "crónica" do Dr. Pedro Mexia (sendo licenciado em Direito segundo diz, não é, felizmente para nós, advogado)
Sinto-me confortado com a defesa que fez dos advogados e demonstrou, embora tal não fosse necessário, que foi bem empregue o tempo que os advogados de Lamego estiveram com V. Exª quando foi candidato a Bastonário da Ordem dos Advogados.
Continue assim, porque colherá o apoio e a gratidão de todos os que acreditam em si. Conte comigo.
Um advogado de Lamego, com muita honra, probo, não coçado, nem acossado.

Anônimo disse...

Caríssimos,

Então onde está esse sentido de humor?

Está escrito com muita piada. Por acaso sentiram-se "picados" com as afirmações do Mexia? Isso justificaria as reacções inflamadas...