Enquanto a Senhora Secretária de Estado e a Senhora Deputada
Independente concorrem para saber qual delas produz a lei mais absurda, o
sector da habitação colapsa em Portugal.
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terça-feira, 26 de março de 2019
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Segue-se a AIG?
Por esta notícia somos informados que o Governador do Estado de New York, David Paterson, declarou que a maior seguradora norte-americana, a American International Group (AIG) tem que arranjar num dia (!) entre 75 a 80 mil milhões de dólares, se quiser evitar a falência. Uma notícia destas normalmente provoca o colapso financeiro de qualquer empresa, pelo que é muito duvidoso que a AIG consiga reforçar os seus capitais próprios nesse montante. Mas aguardamos para ver se um milagre ainda é possível neste curtíssimo prazo.
Em qualquer caso, se vier a concretizar-se esta falência, as consequências serão muito mais dramáticas para os cidadãos comuns do que na falência da Lehman Brothers. Uma seguradora não é um banco de investimento, assegurando uma necessidade muito mais vital, que é a cobertura do risco das pessoas. Com a importância que o negócio de seguros tem na América, o que se vai passar é que esta falência levará a que muitos americanos deixem de ter cuidados de saúde assegurados, percam o direito à pensão de reforma para que tinham descontado, e os seus familiares deixem de ter protecção em caso de morte. Para além disso, as consequências irão repercutir-se em todas as outras seguradoras à escala mundial, face ao sistema de resseguro instituído.
Vai ser dramático para os americanos e mesmo para o mundo em geral o legado da presidência de George W. Bush.
Aditamento.
Afinal a Reserva Federal Americana decidiu assumir o controlo da AIG, fornecendo os 80 mil milhões de dólares necessários para evitar a falência. Resta saber até quando o sector público americano poderá continuar a injectar capital para salvar empresas numa economia em contínuo descalabro.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
A Lehman Brothers já não mora aqui.
Esta notícia da falência da Lehman Brothers confirma as piores apreensões quanto à dimensão da crise económica provocada pelo colapso do crédito sub prime norte-americano. Efectivamente, é manifesto que o peso do sector financeiro na economia se vai reduzir consideravelmente, podendo assistir-se a uma série de falências em cascata de instituições financeiras, com a ruína económica de empresas e particulares que nelas aplicaram as suas poupanças. Por outro lado, com a economia tão globalizada, qualquer falência desta dimensão tenderá a produzir um efeito de arrastamento da crise para outros países. É manifesto que tempos difíceis se aproximam. Não sei mesmo se este dia, 15 de Setembro de 2008, não ficará na História como "a segunda-feira negra" que antecedeu a Grande Depressão do séc. XXI.
O FMI é que já veio dizer que tinha avisado para a dimensão da crise e que o pior ainda está para vir. Não se compreende por isso que o Ministro das Finanças se declare surpreendido com a duração da instabilidade. A situação exige que o País esteja preparado para a crise que se avizinha. Espera-se, por isso, que o próximo orçamento de Estado seja realista e acautele a evolução da situação internacional.
terça-feira, 17 de junho de 2008
O regresso do buzinão.
Regressou hoje a vários pontos do País o buzinão de protesto, que tinha sido pela primeira vez ensaiado na revolta contra o aumento das portagens na Ponte em 1994. Era de prever que esse fenómeno se viesse a verificar. Efectivamente, depois das acções dos pescadores e dos camionistas, que resultaram em apreciáveis cedências por parte do Governo, e da promessa de protestos semelhantes, agora por parte dos rebocadores, taxistas e agricultores, provavelmente com os mesmos resultados, seria natural que os automobilistas comuns também quisessem participar em acções de protesto. Afinal de contas, a crise atinge-os exactamente da mesma maneira que às classes profissionais com maior poder de reivindicação. E se as forças policiais foram tão brandas perante as acções dos camionistas, ninguém espera que venham a reagir perante um simples buzinão.
O que é perturbante neste fenómeno é a sensação de que o Governo não tem um rumo preparado para responder a esta crise, andando a navegar à vista, em função das acções de protesto que continuamente surgem. Mas estes protestos sucessivos estão a enfraquecer consideravelmente o Governo. Foi o buzinão de 1994 que determinou o fim do consulado de Cavaco Silva, ao exibir uma realidade social que nada tinha a ver com o País do oásis, de que o seu Governo falava. É manifesto que este buzinão não terá as mesmas consequências, mas contribui para denunciar o presente estado de espírito das classes médias. E se os combustíveis, os bens alimentares, e as taxas de juro continuarem nesta escalada ascendente, poderemos ter uma crise de grandes proporções, em que a passividade do Governo se tornará insustentável.
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