Não me parece que Pacheco Pereira tenha qualquer razão neste post. Quem quisesse seguir a frase de Sá Carneiro: "primeiro o País, e só depois o Partido", não apresentaria listas destas. Estas são as listas de quem pretende manter o Partido sob controlo, mas com isto está a correr um sério risco de perder o País.
O erro nestas listas é comprovado pela própria argumentação de Pacheco Pereira, que no fundo se resume a dizer para esquecermos quem está nas listas, que o importante é derrubar o Governo de Sócrates. Lembra o apelo de Álvaro Cunhal aos eleitores comunistas nas eleições presidenciais de 1986, para fecharem os olhos e votarem em Mário Soares contra Freitas do Amaral. O problema é que já não estamos em 1986 e hoje as pessoas não votam de olhos fechados. E o sentimento de rejeição a certos candidatos pode ter muito mais efeitos eleitorais que o objectivo de derrubar o Governo.
Se se duvida disto, olhe-se para o que foram as eleições europeias, e quanto contribuiu para o desastre eleitoral do PS a desastrada escolha da sua lista de candidatos ao Parlamento Europeu, em comparação com a excelente escolha realizada na altura por Manuela Ferreira Leite. Pena que os resultados obtidos nessa eleição apareçam agora desbaratados por erros políticos sem qualquer justificação.