Tive sempre dúvidas sobre as vantagens dos inquéritos parlamentares, quando decorrem simultaneamente investigações criminais. Mas o inquérito parlamentar ao BPN até tinha corrido bem embora, como é tradição entre nós, acabasse por ter conclusões inócuas impostas pela maioria parlamentar. Não satisfeito com isso, Vítor Constâncio resolveu desancar os deputados de uma forma inaceitável, uma vez que está em causa um órgão de soberania, que é a casa da democracia. Teve uma resposta à altura de Francisco Louçã. Noutro país, não sei se se teria mantido no cargo, uma vez que o seu desrespeito pelo Parlamento me pareceu até maior que o de Manuel Pinho. Mas entre nós, pelos vistos, o Governador do Banco de Portugal acha que tem legitimidade para censurar o trabalho dos deputados da Nação, e continua no lugar após esta atitude. Isto começa a parecer-se cada vez mais com uma república das bananas.
sábado, 11 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
Aplausos para Manuel Alegre.
O facto de Manuel Alegre pretender que Elisa Ferreira e Ana Gomes optem em definitivo pelo Parlamento Europeu ou pelas suas candidaturas autárquicas é uma atitude que só o honra. Efectivamente, não faz qualquer sentido estas candidatas serem as únicas a concorrer simultaneamente a duas eleições, quando todos os outros candidatos autárquicos do PS são obrigados a optar. Se de facto estão convencidas de que têm a mínima hipótese de ganhar no Porto ou em Sintra, é altura de renunciarem ao Parlamento Europeu. Até porque a sua atitude de concorrer aos dois lugares seguramente muito contribuiu que outros colegas da sua lista não chegassem a ser eleitos. No caso de não renunciarem, confirmarão o que toda a gente já percebeu: que as suas candidaturas autárquicas não são para levar a sério.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
A queda de Manuel Pinho.
Afinal, Manuel Pinho não se conseguiu aguentar no Governo, depois do inacreditável gesto de hoje. É manifesto que a demissão dele era a única saída lógica para a situação criada. Já não percebo, porém, como é que nesta época de crise se põe Teixeira dos Santos a acumular a pasta de Economia juntamente com a das Finanças. Dá ideia de que o Governo já não tem ninguém que possa chamar para o lugar.
Temos consequentemente uma clara sensação de desnorte do Governo e de fim de ciclo. É extraordinário como um gesto irreflectido de um Ministro pode arruinar um debate, em que o Primeiro-Ministro até não se estava a sair mal.
Temos consequentemente uma clara sensação de desnorte do Governo e de fim de ciclo. É extraordinário como um gesto irreflectido de um Ministro pode arruinar um debate, em que o Primeiro-Ministro até não se estava a sair mal.
O gesto de Manuel Pinho.
Não percebo como é que um ministro não é demitido imediatamente do Governo quando faz gestos destes no Parlamento, durante um debate sobre o estado da Nação. Aposto que esta imagem vai correr mundo…
quarta-feira, 1 de julho de 2009
O caso Martim
Congratulo-me com esta notícia de que foi suspenso o processo de adopção de uma criança, que estava a ser realizado contra a vontade dos pais. Mas o que este caso Martim demonstrou é a facilidade com que o art. 1978º do Código Civil permite o estabelecimento da confiança judicial das crianças para adopção, sem o consentimento dos seus pais. Receio muito que desta norma possa resultar uma discriminação contra as famílias pobres, a quem poderão ser retirados os filhos com base no critério de que o interesse do menor é antes ser adoptado. Quantos casos semelhantes existirão no nosso país, e que não tiveram a solução deste por os meios de comunicação social não se terem interessado pelo assunto?
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